A hormonioterapia, também conhecida como terapia endócrina, é um tratamento fundamental em oncologia para cânceres hormônio-dependentes, como os de próstata, mama, tireoide e endométrio. Ela atua bloqueando ou modulando a ação dos hormônios que promovem o crescimento desses tumores, sendo especialmente eficaz em casos em que o tumor expressa receptores hormonais.
Mecanismo de Ação da Hormonioterapia
A hormonioterapia funciona de diferentes maneiras:
Bloqueio da produção hormonal: Inibidores enzimáticos reduzem a produção de hormônios (como inibidores de aromatase para câncer de mama).
Antagonismo dos receptores hormonais: Fármacos como o tamoxifeno competem com o hormônio endógeno, bloqueando a ligação ao receptor.
Supressão da secreção hormonal: Em câncer de próstata, análogos do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) suprimem a produção de testosterona.
Câncer de Próstata
Hormônio-alvo: Testosterona.
Tratamento: Terapia de privação androgênica (ADT) reduz o crescimento das células tumorais ao limitar a disponibilidade de testosterona.
Eficácia: Muito eficaz em estágios avançados e metastáticos. Em casos de resistência à castração, combina-se com quimioterapia ou novos antiandrogênicos.
Câncer de Mama
Hormônio-alvo: Estrogênio e progesterona.
Tratamento: Inibidores de aromatase (para mulheres pós-menopausa), tamoxifeno (pré e pós-menopausa) e fulvestranto.
Eficácia: Altamente eficaz em tumores receptor-positivos (ER+ e PR+), reduzindo a recorrência em até 50%. Não é eficaz em cânceres triplo-negativos.
Câncer de Tireoide
Hormônio-alvo: Tireotropina (TSH).
Tratamento: Supressão de TSH com levotiroxina após tireoidectomia. Em tumores diferenciados, níveis mais baixos de TSH reduzem o estímulo ao crescimento tumoral.
Eficácia: Benefício importante em cânceres bem diferenciados, como o papilífero e o folicular, reduzindo a recorrência.
Câncer de Endométrio
Hormônio-alvo: Estrogênio.
Tratamento: Progesterona sintética ou moduladores seletivos de receptores de estrogênio (SERMs).
Eficácia: Eficaz principalmente em tumores endometrioides (grau 1 ou 2). Menos eficaz em estágios avançados.
Conclusão
A hormonioterapia tem um papel crucial no manejo de tumores hormônio-dependentes, apresentando altas taxas de sucesso, especialmente quando utilizada em tumores receptores hormonais positivos. A eficácia depende do perfil molecular do tumor, sendo necessária uma abordagem personalizada.
A resistência pode surgir ao longo do tempo, exigindo combinações terapêuticas ou mudanças de estratégia para manter a resposta clínica.